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{Quinta-feira, Novembro 27, 2003}

 
livro de visitas novo

posted by Mani 10:47 AM


{Quarta-feira, Novembro 19, 2003}

 
Eu ultimamente tô com umas coisas na cachola que não dão pra postar aqui, então tô meio ausente.
Eu também me prometi que não ia mais assistir programa de culinária nem visitar blog de receitas.
Mas não deu.
E aí deu um problema: eu comentei e ficou grande, eu ia mandar por email mas no meio eu fui ficando emocionada, bom, postei aqui.
A culpa é sua, Fal!
Ah, a Cam achou o site com as receitas da Nigella.Agora eu só preciso de tradutor pra ficar gorda igual ao javali da Patty.

Fal,

Eu sou de uma cidade chamada Juazeiro, na Bahia(não confundir com Juazeiro do Norte, Ceará, terra do padin Ciço).Na minha cidade nasceu João Gilberto, orgulho local.É uma cidade linda, às margens do rio S.Francisco, separada de Petrolina, em Pernambuco, por uma ponte, uma rio/niterói em menor escala.Talvez você conheça "eu gosto de Juazeiro e adoro Petrolina".
Mudei pra Salvador ainda pequena, lá ficou minha bisa, que já conheci velhinha mas forte como a mulher sertaneja costuma ser, apertada no seu coque, os cabelos muito brancos, no seu vestido preto, em eterno luto por um bisavô que nem meu avô conheceu direito, morreu cedo.
Junho era mês de férias no interior.De brincar na praça, cantar muita cantiga de roda, ir pra fazenda, correr, subir em árvore,e de ...comer.
Deus, como se comia!
O dia todo a gente comia.Frutas a gente chupava o dia todo, fruta não era comida, não tinha hora, era passar correndo e pegar uma banana ou uma tangerina ou subir no muro pra conversar chupar manga.Jaboticaba, carambola, tamarindo, ui!
Você já comeu juá?
É um coquinho catingueiro, sem gosto de nada mas viciante, é espinhento, uma amêndoa, não sei explicar.
Não tem graça nenhuma, mas depois que cê come o primeiro, adeus, vai passar a vida sonhando em sentar na árvore e comer todos.
E a comida, meu Deus?
E o leite?
Minha mãe é viciada em leite, eu também.Mas como não ser quando se cresce perto de vacas?
De manhã não se comia frutas, não se usava.Era café com leite, em grandes xícaras de louça de um bege quase cinza, com uns gomos em relevo.Cuscuz de milho(só de milho com água, nada de coco, queijo, essas coisas) e manteiga de garrafa(manteiga líquida) por cima, embebido.Ovo frito ou mexido com farinha.Farofa de bode frito.Beiju de tapioca(também só a tapioca com água e sal) também regado a manteiga.Pão feito em casa, casca duríssima, miolo fofo.Minha avó e minha bisa comiam só a casca, nós brigávamos pelo miolo.Queijo branco, chamado "de minas" mas feito "ali" na fazenda.Banana da terra.Batata doce.
Tinha que comer "ao menos um pedacinho" de tudo, ou a bisa zangava.
O almoço, ai Jesus!Carnes, muitas carnes, assados, cozidos, galinhas enormes em ensopados monumentais, bode, carneiro, peixes de rio, ai, os surubins!Legumes, muitos e variados, abóboras, quiabos, batatas, doces, cozidos imensos coloridos, sucos, aí, sim, tinha que ter pelo menos três tipos de " refresco", sobremesas de doces, também variados, doce de leite, de goiaba, de banana, de abóbora.
Merenda era sequilho, café com leite, doce, bolachas com manteiga.
E a cozinha!Ah, a cozinha era um templo!Uma caverna aberta no subsolo, escura, iluminada pelo fogão a lenha eternamente aceso, cheia de mulheres que conversavam sobre tudo e crianças que se esgueiravam procurando ouvir alguma coisa, atraídas pelo cheiro do tacho de goiabada eternamente fumegante, ou dos biscoitos fritando na gordura quente, mercadorias no escambo do suborno do segredo."Vixe, Mulé, psst,calada, ói as criança""Toma, Fia, uns biscoitinho, vai brincá, vai".
O jantar era uma mistura de café da manhã, com as sobras do almoço e mais umas incrementadas, e haja comida!
E as bananas amassadas com aveia, os abacates amassados com açucar, mamão com mel.
Se comida nos define, eu sou assim, sertaneja, gosto de comida de verdade, de manteiga, leite, de carne do sol e cozido.Gosto de lento-food, de sentar na mesa e comer, conversar, rir, trocar os pratos, comer sobremesa e conversar mais e rir mais, e levantar de barriga cheia pra fazer a sesta na rede, com café socado no pilão com açucar mascavo e leite com tanta gordura que fica aquelas bolhas amarelas em cima.
Tem jeito não, Diet, jamé!
posted by Mani 11:35 AM


{Terça-feira, Novembro 18, 2003}

 
Post escatológico

Fraldas e troninho

Eu sou mó preguiçosa do pedaço, razão pela qual morri de preguiça de tirar fraldas.Aquele negócio de sair pela casa catando caquinha...
Bom, mas Deus não dá asa a cobra, razão pela qual meus filhos, mal aprenderam a segurar e puxar alguma coisa demonstraram enorme predileção por...fraldas, claro.
Nenhum dos dois era chegado a ficar com fralda, principalmente em casa.Como vocês podem ver aqui, com um ano certas pessoas já conseguiam deixar as fraldas penduradas, parecendo enormes.Não eram, ele era enorme.
Bom, no momento em que fui obrigada a encarar a dura realidade de que meu lindo filho não gostava de fraldas, tentei as cuecas e shorts, primeiro os dois depois um e outro.Não dava certo.Ele vestia, sujava, tirava e deixava pelo meio da casa, fralda ou short e caquinha.
Bom, aí foi que eu aprendi o método Tchau Cocô, já amplamente difundido mas nunca suficientemente lembrado, facilitando amplamente o trato com a segunda filha e sobrinhos posteriores.
Tchau Cocô:
Os bebezinhos vêm ao mundo instintos e sentimentos somente.Aqui eles aprendem a se relacionar com uma variada quantidade de regras e procedimentos que muitas vezes são conflitantes com sua natureza.No começo eles só querem comer, dormir, e...fazer cocô e xixi.Como necessidades básicas instintivas de todos os animais, isso lhes dá muito prazer.
É! PRAZER!!
Se a mãe e o pai encaram aquele produto, que tanto prazer lhe deu para fazer, com desprezo e até com asco, isso pode causar no bebezinho uma dificuldade em deixá-lo sair, em separar-se dele.A pressão também para que ele o faça num lugar onde a água vai levá-lo para onde nunca mais vai vê-lo, o seu querido cocô, pode fazer com que fique agressivo e arredio.
Primeira questão:
As fraldas descartáveis.
Nenhuma mãe em sã consciência é capaz de negar o avanço que foi a invenção das fraldas descartáveis na vida moderna.Eu ainda peguei fraldas que as fitas adesivas só colavam uma vez, sem elástico e com desenhos não tão "anatômicos", que às vezes vazavam.Mas nem com toda a minha preferência pelos ecologicamente corretos eu fui capaz de abrir mão das descartáveis.
Usei muita fralda de pano, acho que são legais em casa, se vc tá com tempo, tranquila, se tem gente pra lhe ajudar.É legal o contato do algodão na pele, que respira melhor.Mas pra sair, dormir, nem pensar.
O problema com as fraldas descartáveis é que ficou muito fácil.O bebê não sabe que tá molhado, não pede pra tirar a fralda, demora a descobrir que precisa controlar o esfíncter(o cocô), pior ainda a bexiga.
Ah, mas meu filho pediu, vcs viram.É claro, eu estou generalizando.Muitas crianças entram logo nesse processo, é muuuuuuito variável.
Mas eu tenho a teoria de que esse é o primeiro passo na direção de adultos infantilizados e irresponsáveis, que se recusam a deixar a adolescência.

Ai, Mani de Deus, vou jogar as fraldas descartáveis fora, que veneno é esse, pior que coca-cola?

Calma, muierada, não é pra tanto!

Só não faça da fralda descartável uma arma, a vítima pode ser você.

Solução:
Tire as fraldas de vez em quando, deixe o ventinho bater "nas partes", guarde os tapetes e relaxe, de vez em quando.(Não vale pra quem tem carpete em casa)
Sabe que tem gente que leva criança pra praia de fralda?Isso é pecado!
Bom, se isso virar um hábito saudável e vc conseguir conviver com o fato de que o seu filhote faz cocô(coisa que as fraldas descartáveis também nos ajudaram a esquecer), vem a segunda parte, sua atitude em relação ao dito-cujo.
Bom, os bebês têm prazer em fazer cocô, você já sabe.Fazer cocô é essencial para a vida saudável do seu filho, certo?
Então pare de fazer cara de tragédia quando isso acontece! Alegre-se!Pense:"Mais um dia sem prisão de ventre, mais um dia sem diarréia."
Não precisa fazer carnaval( tem gente que faz, tem musiquinha do cocô e tudo, mas aí eu já acho um certo exagero), mas uma certa alegria, um "Muito Bem", ou "Parabéns" já dão.
Nada de torcer o nariz e chamar de fedorento.
A partir do momento que o seu bebezinho já anda ele é capaz de acompanhar o seu produto, ver para onde se leva a sua obra prima, que tanto trabalho deu pra fazer.Acompanhe-o até o banheiro, jogue o cocô no vaso e diga, "Agora, o cocô vai embora, tchau, cocô".No começo você puxa a descarga, depois deixe que ele o faça.Mande dar tchau, brinque, e fique olhando até o cocô sumir.
Segunda etapa:

O troninho

Eu sou favorável ao peniquinho.O assento do vaso tem algumas desvantagens.A primeira é que é um momento que requer confiança, pra isso é bom que os pés estejam firmes no chão e o trono seja apropriado ao tamanho do "rei".No peniquinho ele também controla o seu "produto", sem medo que fuja e não tem aquela sensação de que ele pode ir junto com o produto pelo ralo.Sem falar que depois o ritual fica mais ritual, mesmo, levar pro banheiro, jogar, dar tchau,dar descarga.

Finalmente, não faça pressão.Deixe o tempo dele, a segurança, o amadurecimento fazer o trabalho.

A fralda da noite já é outra história.E tem outras experiências.
posted by Mani 4:20 PM


{Terça-feira, Novembro 11, 2003}

 
Fal, querida, eu sou uma bagunceira nata.Resultado é que o meu sistema de arquivamento é dos melhores do mundo, com direito a ficha de catalogação, arrumação por gênero e ordem alfabética(o que acaba com a ciumeira de uns e outros).Em compensação, arrumação...os livros teimam em sair das estantes e se amontoar em montes e montanhas no pé da cama, nas mesinhas de centro, de telefone, de canto, nos balcões da cozinha, em cima do roupeiro do banheiro.Há muito que aqui em casa não temos móveis, só aparadores de livros.Se o controle remoto não funciona, é pq tem um livro na frente do vídeo.Se algum barulho nos acorda à noite, foi uma pilha de livros que cresceu demais.Que eu faço, Fal, corto as pernas desses livros, compro estantes de rodinhas?
Se vou arrumar estantes dou de cara com tesouros que havia esquecido, não arrumo nada, fico sentada no chão relendo, relendo...
Esse finde choveu canivete, resolvemos "arrumar" estantes, eu e Mel.Humpf.
Achamos "O Cavalinho Azul" com CD e tudo, vários "Bruxa Onilda", "Os Três Porquinhos Pobres" de Érico Veríssimo e...Clarissa.Pois é, começamos a ler Clarissa.Na cama, cheias de pipoca, chocolate, refri, edredons, ouvimos "Cantigas de Roda"(lembra, o amarelinho, com o desenho das crianças de mãos dadas?).Minha filha não conhecia canções que povoaram minha infância.

"Entrai na roda ó linda roseira
Abraçai a mais faceira
A mais faceira eu não a quero
Quero a boa companheira"

"Alecrim, alecrim dourado
Que nasceu no campo
Sem ser semeado
Foi meu amor
Que me disse assim
Que a flor do campo
É o alecrim"

"Olê, Muié rendeira
Olê, Muié rendá
Tu me ensina a fazer renda
Que eu te ensino a namorar
Lampião desceu a serra
Deu um baile em Cajazeira
Botou as moça donzela
Pra dançar Muié Rendeira
As moça de Vila Bela
Não querem mais trabaiá
Só quer ficar nas janela
Pra ver Lampião passar"

"Tres, tres, passará
Derradeiro ficará
Bom vaqueiro, bom vaqueiro
Dá licença de passar
Com meus filhos pequeninos
Para acabar de criar"

"Eu sou pobre, pobre, pobre,
de marré deci
Eu sou rica, rica, rica,
de marré, marré

Dá-me uma de vossas filhas(1)
de marré , marré, marré
Dá-me uma de vossas filhas
de marré deci

Que ofício dareis a elas?(2)
Dou ofício de professora(costureira, princesa)(3)
Ela aceitou(recusou)"(4)

Decidi, vou aprender a pular corda!


posted by Mani 9:31 AM


{Segunda-feira, Novembro 10, 2003}

 
Esse fim de semana choveu, aqui.Quando chove, e venta, a casa fica muito gostosa e a gente mais aconchegado.
Os cachos de bolas ainda estão pela casa, fazendo aquelas serpentinas coloridas, atrapalhando a passagem.Mas quem disse que a dona deixa jogar fora?
"Ah, mãe, eu gostei tanto do meu aniversário que até hoje eu ainda estou gostando!Você acha que eu tô maluca?"
Sobre a chuva:
"Eu adoro dia de chuva, quando a gente pode ficar quentinho na cama, só merendando e vendo filme.Tem gente boba que não gosta, como é que pode?"
"Eu adoro domingo.Mãe, sabe que tem gente que domingo come comida de verdade?tsc, tsc, tsc."
E eu com essa fama de natureba...
posted by Mani 2:52 PM


{Quinta-feira, Novembro 06, 2003}

 
Homeopatia
Certezas
Arrependimentos
Culpa

Eu fui uma criança doente.Laringites, Faringites, Amigdalites.Antibióticos, Injeções, Cirurgia.Rinite Alérgica.Asma.(OOOOpa!Quase...)
Aos treze anos eu não podia chegar perto de cachorro, não tinha um bichinho de pelúcia, quando o tempo mudava meu nariz me acordava:Entupido, corizando, quando assoava parecia um tram de carga.Fchóooooooooom!
Aos quinze, fazendo teatro no colégio, fiquei amiga de um menino que tomava umas bolinhas esquisitas, docinhas, o tempo todo, parecia bala, mas era ...REMÉDIO!!?
Remédio pra mim era uma coisa de gosto ruim, fedida, que doía, não aquelas balinhas gostosas,Conversamos muito e ele tinha tido os mesmos problemas que eu mas tinha cortinas em casa, tapete no quarto e ...um gato, que vivia agarrado nele.Depois de muito insistir e encher minha mãe, que não via sentido em gastar dinheiro num médico particular ,tendo um plano de saúde tão bom, fomos ao tal homeopata.
Minha vida mudou completamente.
Quem já usou óculos e fez uma cirurgia de miopia sabe o que eu estou falando(eu também fiz).
Sabe o que é você ter uma limitação e aprender a conviver com ela?
Você é míope e não enxerga de longe, ponto.Precisa de óculos pra isso.
Tudo na sua vida gira em torno disso, do óculos, de não ter visão periférica.De repente alguém lhe abre um mundo novo, cheio de possibilidades e você vê como sua vida podia( e vai) ser melhor com isso.
A homeopatia fez isso por mim.
Há vinte e tantos anos eu acordo sem espirrar, sem o nariz entupido, não tomo antibióticos, muito menos benzetacil, tenho 6 cachorros, um inclusive que às vezes descobre uma brecha e vem dormir embaixo da minha cama.Tenho cortinas, tapetes, comprei todos os bichinhos de pelúcia que eu quis, pra me compensar.
Ás vezes eu tenho uma pequena crise, geralmente por causa de poeira e tinta, presente que a alopatia e a cirurgia de adenóides me deixaram, minha resistência é limitada.
Todos os meus problemas ginecológicos foram resolvidos com homeopatia e fitoterapia, sem precisar daquelaes cremes melequentos, argh!
Eu amo a homeopatia, foi a decisão mais acertada que eu tomei na minha vida, todas as outras são reflexo dela.
Se eu peitei mãe, pai(filho de médico e amante de antibióticos) aos quinze anos, todo mundo pode.
Como eu já disse, culpa não leva a lugar nenhum.Não adianta se culpar porque num momento de desespero a gente tomou a única decisão disponível, ainda que a gente pense que podia ser diferente.
Mas não dá pra acender uma vela a Deus e outra ao diabo, a culpa bate muito por causa disso.Não dá pra conviver com médico "homeopata" que passa alopatia quando "necessário".E quem vai dizer a hora da necessidade?O médico?E você vai ficar sempre na dúvida:"Não tinha outro jeito?"
Não corcordo tabém com "todos nós tomamos e estamos ótimos".Mas não vou falar disso agora.
Não discuto a opção pela alopatia, o máximo que eu faço é contar experiências vividas por gente que ficou melhor com a homeopatia.E acho que é uma opção mesmo, difícil de segurar, igual a fazer análise.Então antes de fazer, se informe bem , discuta tudo , tenha certeza do que quer.Se ficar certa, aí sim, se jogue de cabeça, mas fortalecida, sabendo que a torcida "do contra" vai estar sempre por perto, pra te apontar as vantagens da desnecesária ou do antividaótico.
posted by Mani 9:50 AM


{Terça-feira, Novembro 04, 2003}

 
Eu nunca consegui planejar nada.
Tenho muita inveja de quem consegue.
Então, basicamente, tem as mães adolescentes(ou quase).
Tem as mães naturais, aquelas pra quem a maternidade foi uma consequência natural de um desejo sempre presente, tranquilo, uma certeza da vida.
Tem as mães instintivas, aquelas que "de repente" acordaram com um desejo incontrolável de ser mães, apesar de nem sentirem tanta afinidade assim por crianças.
Tem as mães acidentais, que mesmo não estando mais na adolescência, "escorregaram" freudianamente ou não.
Tem as mães maduras, aquelas que tomaram a decisão que vinham adiando há muito, antes que o corpo se recusasse a obedecê-las.
e tem aquelas que engravidaram por pressão, pq o marido, a mãe, a sogra e a geral vinham pedindo.
E os pais, não se habilitam?
Eu conheço um pãe, a mulher só pariu, a mãe é ele.
posted by Mani 10:37 AM


{Segunda-feira, Novembro 03, 2003}

 
Por que a gente tem vontade de ter filho?
É biológico?
É cultural?
Eu nunca fui muito maternal, na infância e na juventude.Era até meio cruel, tinha vontade de beliscar os pequenos, tomava brinquedos só pra ver chorar.
Um dia conheci um homem e quando pensei que não, estava sonhando com bebês e "esquecendo" de tomar a pílula.
Achei que ia ter um só, mas fiquei tão carente que tive medo de sufocar o pequeno e resolvi ter outro.
Nunca pensei se queria mais um menino ou menina, nunca me preparei financeiramente pra gravidez, jamais pensei em abortar.Nunca pensei no que era ser mãe, no que eu abria mão, na responsabilidade.
Comigo, um dia a Loba despertou .
Mas como será pras que não passam tão "tranquilamente" pelo processo?(Que não foi nada tranquilo, foi avassalador, irracional.)
Como será deixar de lado as baladas pelas fraldas?
Como será ter uma boneca viva quando as barbies ainda estão na prateleira e os papéis de carta ainda são usados?
Como será ter um filho em meio a um ritmo de trabalho insano mas delicioso?
Como será não ter um pingo de vontade de ter filho?
Como será ter vontade de ter um filho da companheira e ter que recorrer a um homem pra isso?
Como será querer ser jovem e irresponsável mais um pouquinho e ter marido e família na sua cola, nem sempre discretamente?
Me contem.

posted by Mani 11:16 AM

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